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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

Organização do local de trabalho

Uma das ferramentas de que se socorre o Pensamento Lean na sua visão de favorecer a criação de valor e diminuir a produção de desperdícios/ineficiências, é a aplicação dos principios 5 S. Nesta ferramenta encontramos a palavra "seiton" (整頓) que em japonês significa organização, ou seja, alocar cada objeto ao seu devido lugar. Promover a organização do espaço de trabalho de forma eficaz.


Lima et al (2013) publicaram um artigo em que questionam se um melhor espaço físico no trabalho pode promover um melhor bem-estar entre os profissionais de saúde, onde afirmam:

"Physical working conditions have potential effects on health, and play an important role in quality of life, and job satisfaction, yet most studies on the direct or indirect consequences of physical environmental conditions on healthcare professionals’ focus on outcomes such as performance, efficiency, and error. The objective of this study was to analyze the effects of the physical environment quality of healthcare settings on professionals’ wellbeing. The sample comprised 148 healthcare professionals working in inpatient or outpatient care units from four different hospitals. Two independent variables were used: Objective environmental quality (high/low) and Type of care unit (inpatient/outpatient); and three well-being indicators were analyzed: Job satisfaction, Perception of the care unit as close to an ideal care unit, and Subjective stress. Results show that healthcare professionals working in hospitals with better physical conditions feel more satisfied with their job, and perceive the care unit as closer to the ideal. Stress levels were not affected by physical environment quality or the type of care unit" (Lima et al, 2013).

Também salientam como importante:

- "The effects of the characteristics of the physical work environment have been described in different professional contexts. Job performance, creativity, communication and collaboration between workers, job satisfaction, mental workload, and health may be influenced by the physical work environment (Bell, Fisher, Baum, & Greene, 1996; Brill, Weidemann, Alard, Olson, & Keable, 2001; Dul, Jaspers, & Ceylan, 2011; Rolo, Hernández-Fernaud, & Díaz-Cabrera, 2010; Smith-Jackson & Klein, 2009)" (cit. Lima et al, 2013).

- "People usually consider good health as a key element in defining their quality of life. Well-being also depends, at least in part, on work, since it provides a sense of identity and social benefit, and occupies a large part of a person’s time (Delhey, 2004). According to the report by the National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH, 2008), health, safety, and workers’well-being are directly or indirectly influenced by the work context. More specifically, working conditions and their effects on health play an important role in job satisfaction and well-being (McCoy, 2002)" (cit. Lima et al, 2013).

- "The work of healthcare professionals is particularly physically and psychologically demanding with much scope for burnout, stress, and error (Chaudhury, Mahmood, & Valente, 2009), and a negative physical environment is an additional stressor that might have harmful implications for their health and well-being" (cit. Lima et al, 2013).

- "Although scant, some research has provided evidence that the quality of the hospital physical environment can contribute to job satisfaction and well-being. Part of the studies focus on the effects of specific features of the environment. For example, Topf and Dillon (1988) found that disturbing noise levels promoted noise-induced stress, which in turn was associated with higher levels of burnout and emotional exhaustion among critical care nurses. Similarly, Blomkvist, Eriksen, Theorell, Ulrich, and Rasmanis (2005) found that lower noise levels were linked with reduced perceived work demands, less pressure and strain, and better speech intelligibility. On the other hand, exposure to at least 3 hours’ daylight seems to reduce work stress and dissatisfaction among nurses, lowering their levels of burnout (Alimoglu & Donmez, 2005)" (cit. Lima et al, 2013).

- "Another environmental factor that has been associated with staff (especially nurses) well-being is unit configuration, particularly the type of unit layout (e.g. radial, single corridor, double corridor) and the type of patient rooms (single versus multiple rooms)" (cit. Lima et al, 2013).


Fonte: A better physical environment in the workplace means higher well-being? A study with healthcare professionals CLÁUDIA CAMPOS-ANDRADE1, ESTEFANÍA HERNÁNDEZFERNAUD2 AND MARIA-LUÍSA LIMA1 1Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Cis-IUL, Lisboa; 2Universidad de La Laguna


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Filosofia Lean no atendimento ao doente com AVC


Em situação de AVC, a atuação precoce torna-se essencial para a diminuição das sequelas. Nos casos em que a trombolise está indicada - esta deve ser iniciada logo que possível pois por cada 10 minutos que se percam no atendimento ao doente com AVC, há probabilidade de ocorrerem mais sequelas em 30%. Desta forma o Hospital Universitário Mutua de Terrassa em Barcelona implementou um protocolo de Filosofia Lean conseguindo iniciar precocemente trombolise em 89% dos doentes com AVC - tornando-se o 2º mais eficaz da Europa. 

Fonte: Diretor da Urgencia do HUMT Barcelona. 
#Lean#Kaizen #LeanKaizen #LeanHealthcare #LeanNaSaúde

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Os princípios 5s aplicados na Saúde


De acordo com Peterson e Smith (1998) citado por Dionísio (2013), a implementação desta metodologia tem como objetivos:

- Melhorar a qualidade dos produtos/serviços;
- Melhorar o ambiente de trabalho;
- Melhorar o relacionamento humano;
- Desenvolver o trabalho em equipa;
- Incentivar a criatividade;
- Reduzir custos;
- Promover a melhoria contínua dos processos – eliminar desperdícios;
- Dar ênfase à segurança;
- Estimular a motivação dos colaboradores;
- Preparar o ambiente para a melhoria contínua.

Fonte: DIONISIO, N.M.S. (2013) “A importância da implementação da gestão 
e metodologia Lean num operador logístico” - I.P.Setúbal

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

As principais ineficiências e desperdícios no SNS

O SNS está doente. Precisa de uma dieta e de suplementos que reforcem o seu sistema imunitário contra os sucessivos ataques, daqueles que formam, inclusive, a sua imunidade. Podemos comparar a doença do SNS a uma doença autoimune, em que alguns profissionais de indumentária branca são como os glóbulos brancos que atacam o próprio organismo. Além das gorduras a eliminar no desperdício de recursos e nas ineficiências característicos da Saúde, há uma dura luta a travar contra este flagelo. Implementar uma cultura de qualidade e de querer fazer mais e melhor pelo bem de todos (filosofia kaizen aplicada à Saúde), e não de apenas uma parte pode ser o início de um longo tratamento.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Muda, Muri e Mura - os desperdícios e as ineficiências na Saúde


O pensamento “lean” assenta numa classificação em três tipos diferentes de desperdícios e ineficiências na Saúde: muda (desperdício), muri (dificuldade ou sobrecarga) e mura (variabilidade e desequilíbrio).
a)  Muda: representa qualquer atividade num processo administrativo ou produtivo que não agrega valor ao cliente, ou seja, um desperdício. Existem dois tipos de muda: tarefas que não agregam valor e que são desnecessárias (devem ser eliminadas) e tarefas que não agregam valor mas que são necessárias (ou seja as que devem ser reduzidas). Apesar do muda ser o principal foco de muitos gestores, a ele se associam o muri e o mura que não podem ser menosprezados e que se relacionam entre si.


b)   Muri: segundo elemento desta lista designa a sobrecarga ou dificuldade. Sobrecarga física ou mental nas pessoas. Nas máquinas trata-se de querer que elas produzam mais do que são capazes.Muri são os desperdícios criados pela sobrecarga, uma sobrecarga que não é propriamente um aumento de peso. Quando a demanda excede a capacidade ou quando o rendimento exigido excede a capacidade de processamento. Este excesso de carga reduz o fluxo, aumenta a erros e compromete os resultados desejados. Quando se exige de um profissional de saúde que atenda mais doentes por hora ou que se execute mais procedimentos de enfermagem/clínicos médicos, isto terá um determinado impacto na forma como são realizados.

c) Mura: constitui as diferentes variações que são reconhecidas nos processos e que geram dificuldades de controlo. As variações nos processos de produção devem ser reduzidas para padrões toleráveis de forma a que haja maior previsibilidade nos resultados esperados. A existência de mura nos processos pode significar a ausência de uniformidade ou padronização dos mesmos. Ou seja, mura são irregularidades. Cada um executar as diversas ações de enfermagem ou procedimentos clínicos médicos da sua forma. O objetivos entre os diversos praticantes pode ser igual. Assim como o tipo de procedimento para o atingir. No entanto a forma como o procedimento é executado pode condicionar a forma como o objetivo é atingido. Por exemplo, perante um determinado diagnóstico clínico é necessário o doente realizar uma intervenção cirúrgica. O que se verifica na Saúde é que há variabilidade entre as respostas clínicas assim como entre as formas de realizar a cirurgia. O mesmo acontece nos procedimentos de enfermagem. Embora o pessoal de enfermagem procure prestar cuidados de saúde com uma determinada continuidade, os doentes referem, por vezes, que cada um realiza conforme o seu juízo crítico.
O mura já é controlado nas diversas unidades hospitalares através das normas e protocolos institucionais que são definidos e difundidos entre os serviços que constituem cada hospital, de forma a que os profissionais trabalhem de forma concertada e uniforme. 

O problema aqui reside em dois aspetos fundamentais:
- os profissionais defendem diferentes percursos académicos e, como tal, são orientados por diferentes teorias;
- tal como em outras organizações, existe resistência à mudança característica de estarmos a lidar com seres humanos mas também devido ao facto de cada um defender a sua teoria, a sua escola.
Daí que padronizar os procedimentos pode diminuir a sua variabilidade. Ao diminuir a sua variabilidade, teoricamente, controla-se melhor o resultado esperado. Ao escolher uma única forma de executar os procedimentos, consegue-se prever de certa forma, quais serão os resultados esperados e controlar, à partida, variáveis que deixam de ser desconhecidas.

Torna-se fundamental pensar estas três designações em conjunto. Quando um processo de produção possui irregularidades ou não obedece a um padrão (mura), previamente definido, observa-se a ocorrência de sobrecarga de equipamentos e pessoas (mura) e, por consequência, aparecerão atividades não agregadoras de valor, ou seja, desperdícios (muda). Desta forma, não adiante pensar cada um destes componentes de forma isolada. O sucesso de um programa de melhoria encontra-se em garantir estabilidade ao processo, a qual se obtém: reduzindo a sua variabilidade (que diminui o mura), garantindo um melhor controlo de variáveis estranhas e previsibilidade para evitar sobrecargas dos equipamentos ou pessoas no sistema (que diminui o muri), o que desta maneira aumenta a probabilidade de diminuir desperdícios (que se englobam no mura).

Na Saúde, os líderes acreditam que os doentes/clientes estão dispostos a pagar os cuidados (direta/indiretamente) e, por conseguinte, a qualidade inerente aos mesmos quando se deslocam a um hospital para serem diagnosticados, tratados e receberem alta, mas não estão dispostos a pagar mais do que isso (ou seja, os desperdícios considerados).

Nesta abordagem aos desperdícios que se produzem no sector e na procura de uma maior controlo sobre os mesmos, surgem três questões:

1) Como remover os desperdícios (muda) nos processos hospitalares para melhorar a eficiência e os resultados nos doentes/clientes? 


2) Como controlar as variáveis estranhas nos processos de produção para evitar sobrecargas (muri) de profissionais e equipamentos de saúde e garantir uma maior previsibilidade nos resultados esperados?
3) Como reduzir a variabilidade (mura) dos procedimentos no sector da saúde entre os diversos profissionais que nela trabalham?




Deixo estas questões para vossa reflexão e partilha de resposta, caso pretendam.

sábado, 16 de novembro de 2013

O porquê de estudar a Qualidade na Saúde? | Why I chose to study Quality in healthcare?

Os Governos dos Países Desenvolvidos encontram-se preocupados em oferecer melhores serviços públicos: educação, justiça e saúde. A quantidade e a qualidade dos serviços fornecidos à população são duas questões que estão sempre em discussão nas políticas públicas. No entanto, a oferta destes serviços carece de investimento, por vezes, em grande escala e com pouco retorno em termos de resultados a curto prazo, como por exemplo, no sector da saúde.

São diversas as variáveis que caracterizam as dificuldades do financiamento da saúde e os indicadores que a influenciam como o envelhecimento da população e o aumento da esperança média de vida (o que tendencialmente aumenta a procura de cuidados de saúde) não facilitam a sua justificação em oposição aos restantes sectores públicos. Dadas estas especificidades, urge incrementar a eficácia da saúde e torna-la num sector mais produtivo e com maior capacidade de resposta aos cidadãos que serve e, assim ser, um sector mais competitivo na disputa do orçamento público governamental. A Qualidade em Saúde (Healthcare Quality) será o tema da minha investigação, no sentido de comprovar que o investimento na saúde é um investimento tão necessário como seguro.

(ENG) The Governments of Developed Countries are concerned with providing better public services : education, health and justice. The quantity and quality of services provided to the population are two questions that are always in discussion in public policy. However, the provision of these services requires investment, sometimes on a large scale and with little return in terms of short-term results, such as in the health sector.

There are several variables that characterize the difficulty of health financing and indicators that influence how the aging population and increased life expectancy (which tendencionalmente increases the demand for health care) do not facilitate its justification in opposition to other public sectors. Given these specificities, it is urgent to enhance the effectiveness of health and makes it a sector more productive and more responsive to the citizens it serves and thus be more competitive in a sector of the public budget dispute government . Quality in Health ( Healthcare Quality ) will be the subject of my research , to prove that investment in health is an investment as necessary as secure.