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domingo, 1 de março de 2015

Dois exemplos de resultados da aplicação do pensamento lean na saúde

(Segundo Carina Almeida, 2011)

1. O Virginia Mason Medical Center, nos EUA, conseguiu igualmente melhorar os
resultados operacionais, com a redução de pessoal, sem necessidade de despedimentos.
O contínuo melhoramento por parte dos funcionários, fornecedores e utentes, contribuiu
para redesenhar processos internos e eliminar desperdícios, exigindo menos trabalho e
menos profissionais; desta forma, os funcionários que se reformaram, ou saíram por
outro motivo, não necessitaram de ser substituídos (Miller, 2005).

2. Em Cambridge, a redefinição dos processos da consulta em cuidados primários,
melhorou o acesso a estas consultas por parte dos doentes. Verificou-se uma redução
média dos dias de espera por uma consulta de cuidados primários de 4,3 dias, em 1999,
para 1,8 dias em 2001. Também em Inglaterra, sete centros de cuidados primários
reduziram de 8 para 2 dias de espera, apenas em 5 meses (Smith, 2001).

domingo, 11 de janeiro de 2015

Muda, Muri e Mura - os desperdícios e as ineficiências na Saúde


O pensamento “lean” assenta numa classificação em três tipos diferentes de desperdícios e ineficiências na Saúde: muda (desperdício), muri (dificuldade ou sobrecarga) e mura (variabilidade e desequilíbrio).
a)  Muda: representa qualquer atividade num processo administrativo ou produtivo que não agrega valor ao cliente, ou seja, um desperdício. Existem dois tipos de muda: tarefas que não agregam valor e que são desnecessárias (devem ser eliminadas) e tarefas que não agregam valor mas que são necessárias (ou seja as que devem ser reduzidas). Apesar do muda ser o principal foco de muitos gestores, a ele se associam o muri e o mura que não podem ser menosprezados e que se relacionam entre si.


b)   Muri: segundo elemento desta lista designa a sobrecarga ou dificuldade. Sobrecarga física ou mental nas pessoas. Nas máquinas trata-se de querer que elas produzam mais do que são capazes.Muri são os desperdícios criados pela sobrecarga, uma sobrecarga que não é propriamente um aumento de peso. Quando a demanda excede a capacidade ou quando o rendimento exigido excede a capacidade de processamento. Este excesso de carga reduz o fluxo, aumenta a erros e compromete os resultados desejados. Quando se exige de um profissional de saúde que atenda mais doentes por hora ou que se execute mais procedimentos de enfermagem/clínicos médicos, isto terá um determinado impacto na forma como são realizados.

c) Mura: constitui as diferentes variações que são reconhecidas nos processos e que geram dificuldades de controlo. As variações nos processos de produção devem ser reduzidas para padrões toleráveis de forma a que haja maior previsibilidade nos resultados esperados. A existência de mura nos processos pode significar a ausência de uniformidade ou padronização dos mesmos. Ou seja, mura são irregularidades. Cada um executar as diversas ações de enfermagem ou procedimentos clínicos médicos da sua forma. O objetivos entre os diversos praticantes pode ser igual. Assim como o tipo de procedimento para o atingir. No entanto a forma como o procedimento é executado pode condicionar a forma como o objetivo é atingido. Por exemplo, perante um determinado diagnóstico clínico é necessário o doente realizar uma intervenção cirúrgica. O que se verifica na Saúde é que há variabilidade entre as respostas clínicas assim como entre as formas de realizar a cirurgia. O mesmo acontece nos procedimentos de enfermagem. Embora o pessoal de enfermagem procure prestar cuidados de saúde com uma determinada continuidade, os doentes referem, por vezes, que cada um realiza conforme o seu juízo crítico.
O mura já é controlado nas diversas unidades hospitalares através das normas e protocolos institucionais que são definidos e difundidos entre os serviços que constituem cada hospital, de forma a que os profissionais trabalhem de forma concertada e uniforme. 

O problema aqui reside em dois aspetos fundamentais:
- os profissionais defendem diferentes percursos académicos e, como tal, são orientados por diferentes teorias;
- tal como em outras organizações, existe resistência à mudança característica de estarmos a lidar com seres humanos mas também devido ao facto de cada um defender a sua teoria, a sua escola.
Daí que padronizar os procedimentos pode diminuir a sua variabilidade. Ao diminuir a sua variabilidade, teoricamente, controla-se melhor o resultado esperado. Ao escolher uma única forma de executar os procedimentos, consegue-se prever de certa forma, quais serão os resultados esperados e controlar, à partida, variáveis que deixam de ser desconhecidas.

Torna-se fundamental pensar estas três designações em conjunto. Quando um processo de produção possui irregularidades ou não obedece a um padrão (mura), previamente definido, observa-se a ocorrência de sobrecarga de equipamentos e pessoas (mura) e, por consequência, aparecerão atividades não agregadoras de valor, ou seja, desperdícios (muda). Desta forma, não adiante pensar cada um destes componentes de forma isolada. O sucesso de um programa de melhoria encontra-se em garantir estabilidade ao processo, a qual se obtém: reduzindo a sua variabilidade (que diminui o mura), garantindo um melhor controlo de variáveis estranhas e previsibilidade para evitar sobrecargas dos equipamentos ou pessoas no sistema (que diminui o muri), o que desta maneira aumenta a probabilidade de diminuir desperdícios (que se englobam no mura).

Na Saúde, os líderes acreditam que os doentes/clientes estão dispostos a pagar os cuidados (direta/indiretamente) e, por conseguinte, a qualidade inerente aos mesmos quando se deslocam a um hospital para serem diagnosticados, tratados e receberem alta, mas não estão dispostos a pagar mais do que isso (ou seja, os desperdícios considerados).

Nesta abordagem aos desperdícios que se produzem no sector e na procura de uma maior controlo sobre os mesmos, surgem três questões:

1) Como remover os desperdícios (muda) nos processos hospitalares para melhorar a eficiência e os resultados nos doentes/clientes? 


2) Como controlar as variáveis estranhas nos processos de produção para evitar sobrecargas (muri) de profissionais e equipamentos de saúde e garantir uma maior previsibilidade nos resultados esperados?
3) Como reduzir a variabilidade (mura) dos procedimentos no sector da saúde entre os diversos profissionais que nela trabalham?




Deixo estas questões para vossa reflexão e partilha de resposta, caso pretendam.

sábado, 22 de março de 2014

O que todos os líderes deveriam saber sobre os seguidores |

What Every Leader Needs to Know About Followers


Neste artigo Barbara Kellerman enumera os diferentes tipos de seguidores dentro de uma organização. Esta tipificação baseia-se em anos de observação e estudo e que nos ajuda a compreende de que forma os trabalhadores de uma empresa se encontram comprometidos com a visão do seu líder.

There is no leader without at least one follower—that’s obvious. Yet the modern leadership industry, now a quarter-century old, is built on the proposition that leaders matter a great deal and followers hardly at all.
Good leadership is the stuff of countless courses, workshops, books, and articles. Everyone wants to understand just what makes leaders tick—the charismatic ones, the retiring ones, and even the crooked ones. Good followership, by contrast, is the stuff of nearly nothing. Most of the limited research and writing on subordinates has tended to either explain their behavior in the context of leaders’ development rather than followers’ or mistakenly assume that followers are amorphous, all one and the same. As a result, we hardly notice, for example, that followers who tag along mindlessly are altogether different from those who are deeply devoted.
In reality, the distinctions among followers in groups and organizations are every bit as consequential as those among leaders. This is particularly true in business: In an era of flatter, networked organizations and cross-cutting teams of knowledge workers, it’s not always obvious who exactly is following (or, for that matter, who exactly is leading) and how they are going about it. Reporting relationships are shifting, and new talent-management tools and approaches are constantly emerging. A confluence of changes—cultural and technological ones in particular—have influenced what subordinates want and how they behave, especially in relation to their ostensible bosses.
It’s long overdue for leaders to acknowledge the importance of understanding their followers better. In these next pages, I explore the evolving dynamic between leaders and followers and offer a new typology for determining and appreciating the differences among subordinates. These distinctions have critical implications for how leaders should lead and managers should manage.
A Level Playing Field
Followers can be defined by their behavior—doing what others want them to do. But for the purposes of this article, and to avoid confusing what followers do with who they are, I define followers according to their rank: They are low in the hierarchy and have less power, authority, and influence than their superiors. They generally go along to get along, particularly with those in higher positions. In the workplace, they may comply so as not to put money or stature at risk. In the community, they may comply to preserve collective stability and security—or simply because it’s the easiest thing to do.
History tells us, however, that subordinates do not follow all the time. As the ideas of the Enlightenment took hold in the eighteenth century, for instance, ordinary people (in industrialized societies especially) became less dependent on kings, landowners, and the like, and their expectations changed accordingly—as did their sense of empowerment. The trend continues. Increasingly, followers think of themselves as free agents, not as dependent underlings. And they act accordingly, often withholding support from bad leaders, throwing their weight behind good ones, and sometimes claiming commanding voices for those lower down in the social or organizational hierarchy.
Witness the gradual demise of communism (and totalitarianism) in the former Soviet Union, Eastern Europe, and now China. And consider the social and political upheavals, all of them antiauthority, in the United States and elsewhere during the 1960s and 1970s. Similarly, there has been a dispersion of power at the highest levels of American business, partly because of changes in the cultures and structures of corporations as well as the advance of new technologies. CEOs share power and influence with a range of players, including boards, regulators, and shareholder activists. Executives at global companies must monitor the activities of subordinates situated thousands of miles away. And knowledge workers can choose independently to use collaborative technologies to connect with colleagues and partners in other companies and countries in order to get things done. The result is reminiscent of what management sage Peter Drucker suggested in his 1967 book The Effective Executive: In an era dominated by knowledge workers rather than manual workers, expertise can—and often does—trump position as an indicator of who is really leading and who is really following.
Types of Followers
Over the years, only a handful of researchers have attempted to study, segment, and speak to followers in some depth. To various degrees, Harvard Business School professor Abraham Zaleznik, Carnegie Mellon adjunct professor Robert Kelley, and executive coach Ira Chaleff have all argued that leaders with even some understanding of what drives their subordinates can be a great help to themselves, their followers, and their organizations. Each researcher further recognized the need to classify subordinates into different types. (See the sidebar “Distinguishing Marks: Three Other Follower Typologies.”)
Kellerman’s typology specifies five types of followers: isolates, bystanders, participants, activist and diehards.
a) Isolates are completely detached. These followers are scarcely aware of what’s going on around them. Moreover, they do not care about their leaders, know anything about them, or respond to them in any obvious way. Their alienation is, nevertheless, of consequence. By knowing and doing nothing, these types of followers passively support the status quo and further strengthen leaders who already have the upper hand. As a result, isolates can drag down their groups or organisations. Bystanders observe but do not participate. These free riders deliberately stand aside and disengage, both from their leaders and from their groups or organisations. They may go along passively when it is in their self-interest to do so, but they are not internally motivated to engage in an active way. Their withdrawal also amounts to tacit support for whoever and whatever constitutes the status quo.
b) Participants are engaged in some way. Regardless of whether these followers clearly support their leaders and organisations or clearly oppose them, they care enough to invest some of what they have (time or money, for example) to try to make an impact.
c) Activists feel strongly one way or another about their leaders and organisations, and they act accordingly. These followers are eager, energetic and engaged. They invest heavily in people and processes, so they work hard either on behalf of their leaders or to undermine and even unseat them.
d) Diehards are prepared to go down for their cause – whether it’s an individual, an idea, or both. These followers may be deeply devoted to their leaders, or they may be strongly motivated to oust their leaders by any means necessary. They exhibit an allconsuming dedication to someone or something they deem worthy.

in http://hbr.org/2007/12/what-every-leader-needs-to-know-about-followers/ar/1